domingo, 15 de maio de 2016

O EXÓTICO TEATRO DA ILUSÃO



Eu Sou um Mero Autor

Sou apenas um autor, tentando descrever em palavras aquilo que sinto profundamente. Há um êxtase quase delirante em cada frase que escrevo, como se ao pronunciá-las, eu tocasse algo inefável.

Esta história, insana e mágica, carrega em si uma melancolia inescapável. Alguns a entenderão; outros, talvez, se reconhecerão em suas linhas, vendo-se refletidos em minhas palavras.

Não sei ao certo por que ainda escrevo. Talvez porque, em momentos de silêncio, os sussurros da sua voz invadam minha mente. Ainda que pareça impossível, sua lembrança me traz uma estranha calma, uma paz que só você parece ser capaz de proporcionar.

Da mesma forma, há desejos carnais que explodem no meu peito, como se quisessem gritar, exigindo atenção. E é hilário — como a vida nos leva por tantos caminhos inesperados! Novos hábitos se formam, mudanças acontecem, mas certas manias teimam em ficar, a menos que lutemos para mudar.

Houve um tempo em que me considerava insano. Eu acreditava que a loucura era minha única companhia, mas hoje percebo que esse título não me pertencia, e tampouco a você. Lembro-me de cada palavra pronunciada, de cada promessa feita e de todas as coisas ditas entre nós. Sim, eu lembro de tudo.

A mente é um labirinto. Nela, os sussurros das lembranças se entrelaçam com os desejos mais profundos, criando uma dança íntima entre a calma e o caos. É fascinante como sentimentos e memórias se misturam, trazendo à tona tanto serenidade quanto explosões emocionais. No entanto, não é fácil compreender tudo isso. Nem sempre conseguimos.

A vida, essa grande jornada, é feita de constantes mudanças. Há hábitos que se enraízam em nós, enquanto outros se transformam à medida que crescemos e aprendemos. Mas, mesmo diante das mudanças, há algo em nós que permanece, uma essência verdadeira que resiste ao tempo e às adversidades. É preciso olharmos para dentro, reconhecendo quem realmente somos, sem nos perdermos nas teias de sentimentos e desejos que nos cercam.

É como se, ao olhar no espelho da alma, víssemos a verdade que nos habita. Nesse processo de autoconhecimento, encontramos a clareza para fazer escolhas mais conscientes, mais alinhadas com o que realmente buscamos.

Não, nós não somos insanos. Nossos desejos e sentimentos não são errados. Eles fazem parte de quem somos, e é preciso acolhê-los. Mesmo que às vezes pareçam contraditórios ou difíceis de lidar, eles são essenciais.

As lembranças nos seguem como fios entrelaçados, tecendo a história de nossas vidas. Cada experiência vivida nos moldou, nos fez quem somos hoje. Não há mal em lembrar, em sentir, ou em desejar. O importante é sermos sinceros conosco mesmos, encontrando o equilíbrio entre o passado e o presente.

E então, me lembro do verdadeiro motivo pelo qual me perdi neste mundo utópico. Eu acreditava que viveríamos nele para sempre. Será que estava certo? Não sei. Tudo o que sei é que, desde que você partiu, um vácuo se instalou em minha alma, transformando tudo em um oceano solitário e frio.

Na dança dos mentirosos, onde máscaras ocultam verdades, encontrei-me perdido. Os desejos e sonhos que moldaram o meu mundo se revelaram frágeis quando confrontados com a realidade.

Sim, desperto a curiosidade alheia, chamo a atenção em todos os lugares, menos naquilo que realmente importa. A saudade do tempo, esse tempo precioso que já não volta, é o que mais pesa. Caminhei por tantos lugares, vivi amores, dores e aprendi lições irreversíveis.

Mas nada disso preenche o vazio que ficou. As lembranças do tempo que passamos juntos me assombram. Perguntas sem respostas ecoam em minha mente, enquanto tento entender o que nos levou ao fim.

Deambulei por mares agitados e por águas calmas, colecionando experiências. Mas, no fundo, nada se compara ao que vivemos. Hoje, sinto-me apenas como um espectador nessa dança traiçoeira de sentimentos, arrastado por ela, sem compreender como cheguei até aqui.

Muitas coisas boas já aconteceram desde então, mas ainda não consigo entender. Paixões, pirraças, delírios... Há uma chama ardente que não se apaga. E você alcançou o inabalável. Parabéns. Ninguém havia conseguido.

Hoje, apenas quero caminhar por suas esquinas, como se nunca tivesse partido. Triste, não é? Como os sentimentos que o destino nos impõe nos prendem em batalhas constantes. A vida ensina que certos sacrifícios são necessários, mas muitas vezes, sinto que me faltam forças para completá-los.

Desejo, mais do que tudo, permanecer em suas memórias. Ser a inspiração, o desejo oculto que, em algum momento, você revisita. Que eu seja o anjo que te acompanha, esperando pacientemente pelo momento de ser visto, de ser sentido. Há palavras que machucam, mas aprendi a não me aborrecer com suas fraquezas, porque sei que cada palavra dita reflete sua singularidade. Não fraqueje. Estou aqui, pronto para iluminar seus pensamentos, se assim me permitir.

Ainda sinto o peso de um coração que bate sem ritmo, sem encanto. Minha música perdeu sua vibração, e os acordes que antes me traziam alegria agora só me fazem lembrar de você. Pergunto-me: será que você ainda lembra da minha existência?

 

Um comentário:

  1. Parabéns Bruno! Belas palavras, que só retratam o potencial que há em você!

    ResponderExcluir