sábado, 21 de maio de 2016

A ALMA DE UM AMBULANTE



Assim sou eu: um pássaro belo e livre, sem destino ou restrições, aplainando sobre os campos verdejantes da vida. Minhas asas cortam a majestosa abóbada celeste, conhecendo os mares e voando sobre todo o vasto planeta azul.

Essa liberdade também vive em minha alma. Ela repousa onde encontra alento e amor, mas sempre anseia pelo vento que a leve a voar novamente. Preciso da liberdade como preciso do ar, para que, quando a vontade me chamar, eu possa partir, seguindo fielmente os impulsos dos meus sentimentos, desejos e instintos.

Quando amo, sinto a intensidade dessa ternura percorrer cada parte do meu ser. É como se o amor passasse de célula em célula, fazendo minha alma vibrar, tão lúcida e transparente, que desperta uma paixão que se espalha por mim como fogo.

Livre, movo-me pelo mundo, entregando-me aos encantos e desejos que tocam meu coração, iluminam minha alma e repousam em meu espírito. Sou guiado pela vontade de viver plenamente, de sentir o calor do amor, o frescor da brisa, e a intensidade de cada momento.

Quero tão pouco desta vida... apenas uma fogueira ardendo na madrugada, o som suave do mar ao fundo, e a luz reluzente do luar para testemunhar meus devaneios. Envolvido pela magia da noite, deixo-me levar pelo calor de uma companhia que acende o meu desejo. E, quando a dança da noite terminar, o amanhecer trará consigo um novo brilho, com o sol nascendo mais forte. Embriagado de entusiasmo, oferecerei minha sorte e meu amor ao dia que começa, na espera de que o próximo anoitecer traga de volta a promessa de novas vivências sob o luar.

Assim sou eu, uma alma ambulante, sempre em movimento, sempre buscando o próximo instante em que o amor, a liberdade e o desejo se encontram.

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